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08/04/2024 12h00min - Cultura
3 meses atrás

Ziraldo cartunista imortal


Foto reprodução: TV Cultura ► 
Fonte: Fonte TV Cultura / UOL



Perdemos, no último sábado, o polivalente Ziraldo (1932-2024): escritor, ilustrador, quadrinista, chargista, caricaturista, designer, jornalista, fundador do “O Pasquim” e da “Bundas”, criador do Menino Maluquinho. Uma figura incontornável da Arte brasileira.

Aproveito a coluna desta segunda para homenagear o Ziraldo apontando cinco obras de seu longo e incrível legado. Sei que as cinco obras que você selecionou mentalmente são diferentes das minhas, e isso é natural: ele tem uma obra extensa e plural.

Ele dizia, nas entrevistas, que não se aposentava para não sentir saudades de trabalhar e criar. Então, onde estiver, Ziraldo, continue trabalhando e criando…

Turma do Pererê

Primeira grande incursão dele nos quadrinhos – virou a primeira revista totalmente colorida de HQs criada no Brasil. Com personagens inspirados no folclore, trouxe histórias felizes, engraçadas. A conexão sensível que ele apresentou durante toda a carreira com o público infantil já pode ser vista aqui.

"O Menino Maluquinho"

Talvez o mais fácil de recomendar. Acho que minha geração se divide em duas quanto a este livro: os que se identificavam com o Menino Maluquinho e os que não se identificavam, mas queriam ser com ele. Um livro alegre e sensível, inteligente e engraçado, sobre a infância e o poder da imaginação e da felicidade.

"Chapeuzinho Amarelo"

Um livro a quatro mãos, escrito por Chico Buarque e ilustrado por Ziraldo, que traz uma versão diferente da história da Chapeuzinho Vermelho. Aqui, ela é de outra cor: amarela, de tanto medo que sente do Lobo Mau. Criança medrosa que fui, me identificava muito mais com ela do que com o Menino Maluquinho. A grande sacada, lindamente ilustrada pelo talento de Ziraldo, é como ela aprende a enfrentar o medo: ...mas não vou contar aqui. Merece ser lido no original.

"O Menino Quadradinho"

Outra pérola ziraldiana. Aparenta ser um livro sobre a infância – e é, mas não só: trata também do amadurecimento. Em poucos momentos da sua obra, Ziraldo conseguiu lidar tão bem com elementos gráficos das histórias e quadrinhos e da literatura em prosa ao mesmo tempo, com um resultado metalinguístico que não é exibicionismo: está profundamente ligado com o conteúdo.

" Todo mundo tem uma lista diferente de obras favoritas do Ziraldo "

A rejeição é muito difícil. Vivemos, todos, em uma sociedade que normalmente não sabe lidar com o diferente. Ziraldo nos apresenta a Flicts, uma cor que só quer ser aceita, mas que tem dificuldade para encontrar seu lugar no mundo. Uma fábula colorida e sensível, especialmente depois que, adulto, você reflete sobre ela. Afinal, quem de nós não quer ser aceito, ter amigos? De perto, de pertinho, todos somos Flicts...

O semanário carioca “Pasquim” foi um sucesso absoluto de venda em seus primeiros anos. Arrojado, corajoso, divertido, usava humor gráfico, artigos e entrevistas para fazer uma vigorosa oposição à ditadura. Ao lado de Ziraldo, um dos fundadores e peça basilar do projeto, estavam Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Millôr, Claudius, Fortuna, Jaguar...

Em 2021, a Biblioteca Nacional disponibilizou, online e de graça, todas as edições de “O Pasquim”: é só clicar aqui.



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TV Cultura / UOL
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