1 dia atras
Turismo lança guia inédito para melhorar atendimento a turistas neurodivergentes no Brasil
O Ministério do Turismo apresentou nesta quinta-feira ( 7 ), durante o Salão do Turismo, em Fortaleza, o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”. O material reúne orientações práticas para tornar o turismo brasileiro mais inclusivo e preparado para receber pessoas com diferentes condições neurodivergentes.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a iniciativa busca ampliar o acesso ao lazer e às experiências turísticas com mais respeito e acolhimento. O guia foi criado para incentivar o setor a adotar medidas que promovam conforto, autonomia e dignidade aos visitantes.
O conteúdo foi desenvolvido com base em uma pesquisa nacional realizada pela Universidade do Estado do Amazonas em parceria com o Ministério do Turismo. O levantamento ouviu 761 pessoas entre fevereiro e março de 2026, incluindo autistas, pessoas com TDAH, dislexia, familiares e profissionais ligados ao tema.
Os resultados mostraram que as maiores dificuldades enfrentadas por turistas neurodivergentes não estão apenas na estrutura física dos locais, mas principalmente no atendimento e na falta de preparo das equipes. Mais de 90% dos participantes afirmaram já ter sofrido julgamentos relacionados ao comportamento neurodivergente durante viagens ou passeios.
A pesquisa também apontou problemas como ausência de acolhimento, pouca flexibilidade nos serviços, falta de informações claras e inexistência de espaços adequados para regulação sensorial. Barulho intenso, excesso de estímulos visuais, filas longas e ambientes imprevisíveis aparecem entre os principais fatores de desconforto relatados pelos entrevistados.
Outro dado destacado pelo estudo mostra que experiências negativas podem afetar diretamente a imagem dos destinos turísticos. Mais de 80% das pessoas ouvidas disseram que situações ruins reduzem a chance de recomendar determinado local para outras pessoas.
Entre as principais soluções sugeridas pelo guia estão a criação de áreas silenciosas, sinalização mais clara, rotas alternativas para evitar aglomerações, informações antecipadas sobre sons e iluminação, além do treinamento contínuo das equipes. O material também recomenda linguagem simples e atendimento mais flexível em hotéis, restaurantes, aeroportos, eventos e atrações turísticas.
A coordenadora da pesquisa, a professora Marklea da Cunha Ferst, destacou que pequenas adaptações podem gerar grande impacto na experiência dos visitantes. A proposta do Ministério do Turismo é incentivar que essas medidas sejam ampliadas em todo o país, fortalecendo um turismo mais acessível e inclusivo.
•
Usamos os cookies e dados de navegação visando proporcionar uma melhor experiência durante o uso do site. Ao continuar, você concorda com nossa Política de Privacidade.

