34min atrás
Queda dos polinizadores preocupa e acende alerta no Brasil
Agrolink
A queda nas populações de polinizadores amplia a preocupação com a biodiversidade, a regeneração de florestas e a produção de alimentos. Esses animais são responsáveis pela reprodução de mais de 95% das plantas silvestres e cultivadas no mundo e exercem papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas.
O alerta está em estudo publicado na revista científica Neotropical Entomology. A análise aponta que o Brasil acumula conhecimento científico sobre o tema, mas ainda carece de políticas públicas integradas e de uma legislação específica para proteger polinizadores.
“O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores, mas figura entre os maiores consumidores globais de pesticidas”, alerta Juliana Hipólito, pesquisadora do INMA e primeira autora do estudo.
Segundo dados do IBGE citados no estudo, 16,14%, em média, da produção agrícola e extrativista no país dependem desse serviço ecológico, percentual que pode chegar a 25%. A redução dessas populações afeta a reprodução de plantas, a diversidade genética e a recuperação de ambientes naturais.
Entre os principais fatores de pressão estão a perda de habitats e o uso intensivo de agrotóxicos. O estudo destaca que o Brasil segue entre os maiores consumidores globais de pesticidas, cenário que aumenta os riscos para espécies vulneráveis, como as abelhas nativas sem ferrão. Mesmo doses baixas podem comprometer o desenvolvimento e a sobrevivência desses insetos.
Os autores defendem monitoramento nacional, redução de incentivos a agrotóxicos mais tóxicos, práticas agrícolas sustentáveis, restauração de habitats e preservação de vegetação nativa próxima às áreas produtivas. “A preservação de áreas de vegetação nativa próximas às lavouras não apenas protege a biodiversidade, mas fortalece as interações ecológicas que sustentam os próprios ecossistemas. Esses ambientes funcionam como refúgios e fontes de alimento para polinizadores, contribuindo para a manutenção de ciclos naturais essenciais”, conclui.
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