22min atrás
Nobel de Química premia pesquisa que desvendou um antigo mistério das moléculas
O francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai receberam nesta quarta-feira (7) o Prêmio Nobel de Química de 2026. Os dois foram reconhecidos por pesquisas que ajudaram a entender como reações químicas podem favorecer uma das duas versões espelhadas de uma molécula.
O trabalho resolveu uma questão que intrigava os cientistas há mais de um século: por que os organismos vivos utilizam predominantemente apenas uma das versões de determinadas moléculas. Esse fenômeno é conhecido como homoquiralidade e está presente, por exemplo, nos aminoácidos que formam as proteínas.
Kagan deu um passo importante em 1986 ao demonstrar que pequenas diferenças entre as duas formas de uma molécula poderiam ser ampliadas durante uma reação química. Anos depois, Soai avançou nessa linha de pesquisa e mostrou que uma molécula poderia ajudar a produzir mais moléculas com a mesma “orientação”.
A descoberta tem importância prática, principalmente para a indústria farmacêutica. Moléculas com a mesma composição podem apresentar comportamentos diferentes no organismo dependendo de sua forma. Por isso, conseguir produzir de maneira controlada uma versão específica é importante na criação de medicamentos e também pode ser útil na produção de fragrâncias, produtos agrícolas e novos materiais.
Os dois pesquisadores vão dividir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 6,2 milhões. Kagan tem 95 anos e Soai, 76. A cerimônia oficial de entrega dos prêmios está marcada para 10 de dezembro, em Estocolmo, na Suécia.
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