2h atrás
MPF recomenda que Sanesul detalhe presença de agrotóxicos em faturas de água em Dourados
O Ministério Público Federal enviou recomendação à Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul, a Sanesul, para que detalhe aos consumidores de Dourados a qualidade da água distribuída na cidade. A medida busca garantir informação clara sobre os riscos de contaminação do manancial por agrotóxicos.
O procedimento foi motivado por uma contradição identificada nas contas de água de março e abril deste ano. Enquanto a Sanesul reconhecia que a bacia do Rio Dourados tem atividades agrícolas e pecuárias capazes de causar riscos de contaminação, o mesmo documento afirmava não haver riscos evidentes. Para o MPF, essa prática omite a ocorrência sistemática de agrotóxicos.
A recomendação dá prazo de 30 dias para que a Sanesul inclua nas contas mensais o resumo das análises da água e alerte sobre problemas do manancial que causem risco à saúde. A empresa também terá de detalhar, em relatório anual, as condições da bacia e os exames realizados.
Os riscos são reforçados por dados da Embrapa, que monitora resíduos de agrotóxicos em rios de Mato Grosso do Sul. O levantamento aponta frequência de detecção do herbicida atrazina de 84% no Rio Dourados. A substância foi classificada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer como provavelmente cancerígena. O número de pesticidas distintos detectados anualmente no rio saltou de 20, em 2019, para 43, em 2025.
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