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23/05/2026 11h00min - Agronegócio
3 semanas atrás

Fertilizantes mais caros acendem alerta no agro para a safra 2026/2027


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Fonte: Fonte Grande FM



O aumento no preço dos fertilizantes voltou a preocupar produtores rurais e empresas do agronegócio no Brasil. Um levantamento divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil aponta que os conflitos no Oriente Médio já começam a impactar os custos de produção da próxima safra de grãos.

Segundo a entidade, o cenário preocupa justamente em um período importante para o planejamento agrícola. É no segundo semestre que muitos produtores negociam compras de insumos, linhas de crédito e operações de troca de grãos por fertilizantes, conhecidas como barter.

Mais do que o preço dos adubos, a CNA chama atenção para a piora na chamada relação de troca. Na prática, os agricultores precisam entregar mais sacas de soja ou milho para conseguir comprar a mesma quantidade de fertilizantes, o que reduz a rentabilidade da lavoura.

A situação é considerada mais delicada do que a registrada em 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele período, apesar da disparada dos fertilizantes, os preços das commodities agrícolas também estavam elevados, ajudando a equilibrar parte das contas no campo.

Os dados mostram ainda que o Brasil importou menos fertilizantes nos primeiros quatro meses de 2026. O volume caiu de 7,7 milhões para 7,4 milhões de toneladas, uma redução de 4% em relação ao ano passado. Mesmo assim, o gasto do País com essas compras aumentou 16%.

A CNA atribui essa alta ao encarecimento dos fretes internacionais e às incertezas provocadas pelos conflitos geopolíticos. Como os fertilizantes têm peso importante no custo de produção de soja, milho e outras culturas, o impacto acaba chegando diretamente ao bolso do produtor.

Entre os produtos que mais subiram está a ureia, com aumento médio de 40% durante o período analisado. Já os fertilizantes fosfatados registraram alta de cerca de 20%. Enquanto isso, os preços da soja e do milho praticamente ficaram estáveis, dificultando ainda mais a capacidade de compra do agricultor.

Outro fator que amplia a preocupação é a forte dependência externa do Brasil. Atualmente, cerca de 93% dos fertilizantes usados no País são importados. Isso faz com que qualquer crise internacional, seja conflito armado, sanções comerciais ou problemas logísticos, tenha reflexos rápidos no agronegócio brasileiro.

O levantamento também mostra mudanças entre os principais fornecedores do mercado brasileiro. A China ultrapassou a Rússia e passou a liderar as exportações de fertilizantes ao Brasil em 2025. O estudo aponta ainda crescimento das compras de potássicos de países como o Turcomenistão, numa tentativa do mercado de buscar alternativas diante da instabilidade global.



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