2 meses atrás
Estudo revela que celular precoce aumenta risco de depressão, insônia e obesidade em crianças
Um novo estudo acendeu o alerta para algo que muitos pais já desconfiavam: dar celular cedo demais para as crianças pode trazer mais prejuízos do que vantagens. A pesquisa, feita por cientistas das universidades da Califórnia e Columbia, mostra que crianças de até 12 anos que ganham um smartphone têm mais risco de desenvolver depressão, problemas de sono e até obesidade.
As conclusões vieram da análise de mais de 10 mil participantes do maior estudo sobre desenvolvimento cerebral infantil dos Estados Unidos. Apesar de não provar causa direta, os resultados reforçam o que vários levantamentos já vêm indicando: o excesso de telas mexe muito mais com a saúde física e emocional das crianças do que se imaginava.
O psiquiatra infantil Ran Barzilay, que liderou o estudo, disse que entregar um celular a uma criança não deveria ser uma decisão tomada no impulso. Segundo ele, é uma escolha que realmente interfere no bem-estar dos pequenos. Os dados mostram que cerca de dois terços das crianças analisadas já tinham smartphone por volta dos 11 anos.
Comparando com outras 3.800 crianças que só tiveram acesso ao aparelho depois dos 12, o contraste foi grande: quem ganhou o celular mais cedo teve mais risco de depressão, dormiu pior e apresentou maior tendência à obesidade. Até as que receberam o aparelho aos 12 anos mostraram piora na saúde mental já aos 13 — diferente das que continuaram sem o dispositivo.
O estudo nem investigou o que as crianças faziam no celular, mas os pesquisadores lembram que o problema vai além das redes sociais. Plataformas como YouTube, TikTok, streaming e jogos podem tomar horas do dia, tirar o foco das atividades físicas e bagunçar o sono. E agora, com a onda de chatbots e companhias virtuais, muitas crianças acabam substituindo interações reais por conversas digitais.
Com tantas pesquisas apontando riscos, várias escolas já endureceram regras e proibiram celulares em sala de aula. Barzilay quer aprofundar os estudos, mas afirma que uma lição já é clara: crianças precisam passar mais tempo longe das telas e mais tempo brincando, se exercitando e convivendo. No fim das contas, a grande questão não é só quando dar o primeiro celular, mas como evitar que ele molde — ou distorça — o crescimento de toda uma geração.
•

