3 meses atrás
Estudo aponta desigualdade no acesso à educação infantil para crianças de baixa renda no Brasil
As desigualdades sociais no Brasil continuam impactando diretamente o acesso à educação infantil, especialmente entre crianças de famílias de baixa renda. É o que aponta o estudo inédito “O desafio da equidade no acesso à educação infantil”, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com os ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social.
A pesquisa analisou dados do CadÚnico e do Censo Escolar de 2023 e revelou que apenas 30% das cerca de 10 milhões de crianças de baixa renda na primeira infância estavam matriculadas em creches naquele ano. Na pré-escola, etapa obrigatória da educação básica, o índice de matrícula chegou a 72,5% entre crianças de 4 e 5 anos pertencentes a famílias inscritas no CadÚnico.O levantamento também evidenciou fortes desigualdades regionais no acesso às creches. A Região Norte apresentou a menor taxa de matrícula, com 16,4%, seguida pelo Centro-Oeste (25%) e Nordeste (28,7%). Sudeste (37,6%) e Sul (33,2%) ficaram acima da média nacional, mas ainda longe da universalização.
Na pré-escola, as diferenças persistem, com índices variando entre 68% e 78% nas regiões brasileiras. Norte e Nordeste novamente aparecem com os percentuais mais baixos, indicando dificuldades estruturais no atendimento à educação infantil nessas localidades.
Segundo a presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, o acesso à creche é fundamental, especialmente para crianças em situação de vulnerabilidade, por oferecer aprendizado, desenvolvimento e segurança. Ela destaca ainda que a chance de matrícula aumenta conforme a idade da criança, já que muitas unidades não atendem bebês de até dois anos.
O estudo aponta que municípios menores e com baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) enfrentam maiores obstáculos para ampliar vagas, seja por limitações financeiras ou técnicas. Diante desse cenário, a pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas aos territórios mais vulneráveis para garantir o direito à educação infantil de qualidade em todo o país.
*Com informações: Agência Brasil
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