2 meses atrás
Energia eólica offshore avança no Brasil, mas impactos sobre aves entram no centro do debate
A energia eólica vive um momento de forte expansão no Brasil e atingiu um novo recorde em 2024. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), a geração chegou a 107,58 terawatts-hora (TWh), volume capaz de abastecer cerca de 47 milhões de residências ao longo de um ano, consolidando a fonte como peça-chave da matriz energética nacional.
Esse crescimento marca uma virada em relação ao início dos anos 2000, quando a energia dos ventos tinha participação quase irrelevante. A mudança ganhou impulso com políticas públicas como o Proinfa, que abriu espaço para investimentos, garantiu contratos de longo prazo e estimulou a instalação de parques eólicos em diferentes regiões do país.
Atualmente, a liderança da produção segue concentrada no Nordeste, favorecida por condições climáticas e geográficas. Ainda assim, o Rio Grande do Sul aparece entre os cinco maiores produtores do país e se projeta como protagonista do próximo ciclo de expansão: a energia eólica offshore, instalada no mar.
O estado concentra hoje o maior número de projetos offshore em análise no Brasil, com cerca de 30 propostas em fase de licenciamento ambiental. A movimentação reflete uma mudança de estratégia do setor, que passa a buscar o ambiente marinho diante da escassez de grandes áreas disponíveis em terra para novos parques.
Especialistas apontam que a migração para o mar é uma alternativa natural para manter o crescimento da geração eólica no longo prazo. Projetos pioneiros no Sul mostraram o potencial da região, enquanto o interesse do setor privado acelera estudos e investimentos em complexos offshore.
Entre as iniciativas em destaque está o projeto Aura Sul Wind, que prevê a instalação da primeira plataforma flutuante de energia eólica offshore do Brasil no Porto de Rio Grande. O empreendimento reúne empresas, universidades e órgãos públicos, com foco tanto na geração de energia quanto no monitoramento ambiental em tempo real.
Com a expansão no mar, cresce também a atenção aos impactos ambientais. Pesquisadores e órgãos licenciadores analisam possíveis efeitos sobre aves migratórias e ecossistemas marinhos, buscando estabelecer critérios e medidas de mitigação. O desafio é equilibrar o avanço da energia limpa com a preservação ambiental, garantindo que o desenvolvimento do setor ocorra de forma sustentável.
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