2 meses atrás
Anvisa aprova novo medicamento para Alzheimer em fase inicial
A Anvisa aprovou o lecanemabe, medicamento indicado para o tratamento do Alzheimer em fase inicial no Brasil. Comercializado com o nome Leqembi pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, o fármaco recebeu aval para uso em pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pela doença.
O medicamento integra uma nova geração de anticorpos monoclonais que atuam diretamente sobre a proteína amiloide, associada ao desenvolvimento do Alzheimer. Embora não seja uma cura, o tratamento consegue retardar de forma modesta a progressão da perda cognitiva, sendo considerado um avanço científico relevante.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União no final de dezembro, mas ainda não há previsão para o lançamento do medicamento no mercado brasileiro. A definição de preço depende da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O uso do lecanemabe é restrito a pacientes que apresentem placas de proteína amiloide confirmadas por exames específicos. Além disso, pessoas com a mutação do gene APOE-e4 não são indicadas para o tratamento, devido ao maior risco de efeitos colaterais graves.
A administração é feita por infusão intravenosa, a cada duas semanas, em ambiente hospitalar e com acompanhamento médico especializado. Nos estudos clínicos, realizados ao longo de 18 meses, o medicamento reduziu em cerca de 27% o ritmo da perda cognitiva dos pacientes.
Apesar dos resultados apontarem benefício, o custo elevado é um dos principais obstáculos. Nos Estados Unidos, o tratamento anual custa aproximadamente US$ 26,5 mil. No Brasil, medicamentos semelhantes, como o donanemabe, já ultrapassam R$ 200 mil por ano.
Segundo o neurocientista Mychael Lourenço, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esses fármacos não devem ser incorporados ao Sistema Único de Saúde no curto prazo. Ele avalia que o alto custo, a indicação restrita e o fato de não curarem a doença dificultam um parecer favorável para inclusão no SUS.
Outro fator de preocupação são os efeitos adversos, que incluem dores de cabeça, reações à infusão, hemorragias e edemas cerebrais, alguns potencialmente graves. Por isso, a triagem clínica e o monitoramento constante são considerados essenciais durante o tratamento.
Mesmo com limitações, especialistas destacam que a aprovação do lecanemabe representa um avanço importante após anos sem novas opções terapêuticas para o Alzheimer. A expectativa é que esses medicamentos impulsionem o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e acessíveis no futuro.
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