3h atrás
A descoberta que pode mudar o futuro dos bioinsumos
Agrolink
A capacidade de microrganismos responderem de forma diferente conforme o ambiente em que foram cultivados pode abrir uma frente para a biotecnologia agrícola. Segundo Yerandy Hechavarria Luna, bioquímico e biólogo molecular, o histórico fisiológico de bactérias e fungos pode influenciar o comportamento futuro dessas células.
Durante muito tempo, a definição de um microrganismo esteve associada ao seu genoma. No entanto, uma mesma cepa pode apresentar respostas distintas conforme as condições de cultivo, como estresses ambientais, disponibilidade de nutrientes e características da fermentação.
Esses fatores podem provocar alterações na expressão gênica, na atividade metabólica e em mecanismos regulatórios. Esse conjunto de respostas, tratado como uma espécie de memória celular, pode afetar a produção de metabólitos secundários, a colonização da rizosfera, a competição com o microbioma nativo, a resistência a estresses ambientais e a consistência entre lotes industriais.
A discussão alcança o objetivo dos processos fermentativos. Em vez de buscar apenas maior produção de biomassa, a fermentação poderia ser planejada para preparar fisiologicamente os microrganismos para o ambiente em que irão atuar.
Na avaliação de Hechavarria Luna, esse conhecimento pode transformar o desenvolvimento de bioinsumos, do desenho do processo fermentativo ao escalonamento industrial e ao controle de qualidade. A perspectiva é que as etapas industriais deixem de funcionar somente como multiplicação celular e passem a preparar os microrganismos antes da formulação.
O tema levanta dúvidas sobre a inclusão do histórico fisiológico nos critérios de desenvolvimento e registro de bioinsumos. A questão é saber se esse fenômeno já recebe a atenção necessária ou se ainda é subestimado pelo setor.
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