Segundo denúncia vereadores de Dourados recebiam mensalão de R$ 170 mil
O dinheiro era pago para os vereadores aprovarem as matérias de interesse do prefeito Ari Artuzi.
Responsável por denunciar e gravar o esquema de fraude em licitações e pagamento de propina em Dourados, o secretário de governo, Eleandro Passaia, afirmou em entrevista ao Fantástico (Globo) que cada vereador recebia R$ 170 mil/mês para participar do esquema.
O dinheiro era pago para os vereadores aprovarem as matérias de interesse do prefeito Ari Artuzi e “esquecerem” de fazer críticas ao Executivo.
Na reportagem, o Fantástico afirmou que Eleandro Passaia atuou como uma espécie de “agente federal infiltrado”.
Foram presas 29 pessoas pela Polícia Federal por meio da Operação Uragano (furacão, em italiano), incluindo prefeito, vice e presidente da Câmara. Com a linha sucessória fragilizada por causa das prisões, o juiz Eduardo Machado Rocha tomou posse como prefeito interino.
Pagamento em cheque
Cheques do procurador jurídico do município de Dourados, Alziro Moreno, serviam como uma espécie de caução para garantir o pagamento do mensalão a vereadores da cidade. Uma gravação feita no dia 2 de junho deste ano revela que cheques de Alziro foram dados como garantia do pagamento de mesada ao presidente da Câmara, Sidlei Alves.
Alziro Moreno e Sidlei estão entre os presos na Operação Uragano, deflagrada semana passada pela PF (Polícia Federal), que aponta esquema de desvio de verbas e pagamento de propina na prefeitura do município.
A investigação da PF detalha o envolvimento do procurador nas ações que levaram à prisão do prefeito da cidade Ari Artuzi (PDT), que também está preso, empreiteiros, vereadores e funcionários da prefeitura.
Segundo a investigação, quando Alziro era secretário de Governo era responsável pelo pagamento de propina aos vereadores.
Esta função foi assumida por Eleandro Passaia, que denunciou o esquema.
Para provar as irregularidades, Passaia chegou a assumir a função de pagar a propina aos envolvidos no caso.
As negociatas foram gravadas por Passaia e todo material está com a PF.
As investigações da PF mostram o momento em que Alziro detalha que quando ele fazia os pagamentos das propinas o dinheiro era proveniente de empreiteira e do Hospital Evangélico.
Ao todo, 13 presos dos 29 mandados de prisão que tinham sido expedidos, já foram colocados em liberdade devido ao pedido de revogação: Paulo Ferreira do Nascimento, (assessor do prefeito), Thiago Vinícius Ribeiro (departamento de licitações), José Antonio Soares – o Zeca do MS (Empresário), Aurélio Bonatto (vereador) , Júlio Artuzi (vereador e tio do prefeito), Marco Aurélio de Camargo Areias (superintendente do Hospital Evangélico), João Kruger (controlador-geral), José Roberto Barcelos Junior (Ex-chefe de licitação), Sidnei Lemes Erédia - (Empresa de sonorização), os vereadores Marcelo Barros, José Carlos Cimatti (PSB) e Paulo Henrique Bambu e o empresário Geraldo Alves de Assis, proprietário da construtora Planacon.
Já o vice presidente da Câmara, Zezinho da Farmácia (PSDB), também teve o pedido de liberdade aceito, mas não será liberado porque foi encontrada uma arma calibre 38 na casa dele, sem registro.
Continuam presos: o prefeito Ari Artuzi, primeira-dama Maria Aparecida Artuzi, vice-prefeito Carlinhos Cantor, Alziro Moreno (procurador-geral), Tatiane Moreno (secretária de Administração), Ignez Boschetti Medeiros (secretária de Finanças), Cláudio Marcel Hall - Marcelão (vereador licenciado e secretário de Serviços Urbanos), Helton Farias (Gestor de Compras), Dílson Cândido de Sá (secretário de Planejamento e Obras), Antonio Araújo e o presidente da Câmara, Sidlei Alves. (Fonte: CG News).


