27/10/2018 08h01 - Atualizado em 27/10/2018 08h01

Novo alerta para as alterações cognitivas após cirurgias

Complicações são mais frequentes em pacientes acima dos 65 anos

Por: Redação/G1
 
 
Médicos alertam para as alterações cognitivas observadas depois da anestesia em procedimentos cirúrgicos Médicos alertam para as alterações cognitivas observadas depois da anestesia em procedimentos cirúrgicos

Um grupo multidisciplinar internacional de especialistas anunciou novas recomendações a respeito da forma como clínicos descrevem as alterações cognitivas observadas depois da anestesia em procedimentos cirúrgicos. Essas recomendações foram divulgadas simultaneamente em seis publicações médico-científicas, entre elas o veículo oficial da Sociedade Americana de Anestesiologistas, criada em 1905. Tais mudanças nas funções cognitivas – como memória, atenção, linguagem, percepção – são mais comuns em pacientes acima dos 65 anos. Podem se manifestar de diversas maneiras e durar de dias até anos.

Até hoje, esse problema era conhecido como disfunção cognitiva pós-operatória (em inglês, postoperative cognitive dysfunction, ou POCD). No entanto, os especialistas agora sugerem um novo termo, mais abrangente, que funcione como "guarda-chuva" para todas essas manifestações: desordem neurocognitiva perioperatória (perioperative neurocognitive disorder, ou PND). Na medicina, o perioperatório compreende o período que vai desde o momento em que o cirurgião opta pela cirurgia e comunica sua decisão até a volta do paciente à sua rotina, depois da alta. Portanto, trata-se de um intervalo de tempo que pode ser bastante longo e repleto de emoções intensas, o que não pode ser desprezado no quadro geral. O delirium é uma dessas alterações pós-operatórias e sua incidência vai de 5% a 15%. Pode provocar alucinações, além de a pessoa se mostrar desorientada. Diferentemente de uma demência, o delirium cessa com a solução dos problemas clínicos. Entretanto, também acontece de, em relação aos idosos, esse estado de confusão ser atribuído à idade.

Muitos fatores concorrem para as alterações cognitivas depois de cirurgias, como o tipo medicamentos administrados, outras doenças crônicas que o paciente possa ter, além do próprio estresse da situação. Quem já passou pela experiência de estar num CTI sabe que o isolamento daquela unidade contribui para um estado alterado de consciência. "Alguns pacientes relatam o que chamam de ‘fog no cérebro’, que pode durar semanas ou meses, mas geralmente desaparece depois desse período", afirmou o médico Roderic G. Eckenhoff, membro da Associação Americana de Anestesiologistas e um dos autores dos estudos. A desorientação mental pode impedir que o indivíduo faça palavras cruzadas, mas também pode levar ao esquecimento do lugar onde o carro está estacionado, já que essa recuperação pode ser mais lenta do que o previsto. "Os anestesistas raramente conversam com os pacientes sobre problemas cognitivos após a cirurgia, mas essa é a complicação mais comum entre idosos. Temos que falar sobre isso e prepará-los para o que pode ocorrer, assim como acalmá-los diante do receio sobre esta ser uma condição progressiva. Esperamos que a nova nomenclatura nos ajude", completou o doutor.


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