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‘Ninguém se importa com histórias de soldados’, diz veterano do Iraque

01 de September de 2010 às 07:20

Fred Minnick foi soldado e fotógrafo do Exército americano em 2004.

Foto: Arquivo Pessoal   Legenda: O americano Fred Minnick no Iraque
Foto: Arquivo Pessoal Legenda: O americano Fred Minnick no Iraque

Fred Minnick esteve 365 dias como soldado do Exército americano no Iraque, mas para ele a pior parte começou quando ele voltou para casa.
“Enfrentei um inimigo muito mais mortal que a granada que quase me matou, as balas ou os morteiros”, contou ele ao G1. “Fui diagnosticado com uma forma severa de transtorno de estresse pós-traumático. (...) Eu odiava que a sociedade se importasse mais com os problemas legais de Martha Stewart [uma apresentadora de TV americana] do que com os soldados”, afirma.
O site G1 publica uma série de reportagens sobre os sete anos de ocupação norte-americana no Iraque. Leia também o raio-X da guerra e indicações de livros e filmes para entender o conflito.
Minnick chegou ao Iraque com 27 anos, em janeiro de 2004, e uma tarefa diferente da maioria de seus colegas: era fotógrafo. Sua missão era acompanhar as tropas de infantaria e registrar as operações de combate, antes, durante e depois. Embora estivesse armado e de farda, seu principal instrumento de trabalho era a câmera.
“Meu trabalho permitiu que eu observasse a guerra de todos os ângulos e me deu a oportunidade de contar a história de nossos heróis”, afirma.
Na volta aos Estados Unidos, no entanto, Minnick descobriu que os americanos não queriam ouvir essa história. “Quase que imediatamente ao voltar para casa, em janeiro de 2005, meus problemas começaram”, conta, sobre o estresse pós-traumático.
Em um dos pesadelos que teve com o Iraque, ele conta que acordou do lado de fora da casa dos pais, abraçado a uma árvore gritando que “eles estavam por toda a parte”.
“Eu queria poder dizer que os pesadelos eram a única coisa me impedindo de dormir ou de me reajustar. Mas eu bebia o máximo que podia e evitava encontrar meus amigos”, conta. “Quando as pessoas se interessavam [pelo Iraque], perguntavam apenas coisas como ‘você matou alguém?’, ‘você acha que nós devíamos estar lá?’”, lembra Minnick.
“Uma vez, depois que o meu time de basquete perdeu o campeonato, bebi várias garrafas de cerveja. Comecei a chorar no bar porque eu não conseguia nem mesmo lidar com a derrota em um jogo de basquete,” conta.
Para superar o trauma, um de seus terapeutas (“demorei para escolher um de quem eu gostasse”, conta Minnick) sugeriu que ele “contasse sua história”.
Ele se demitiu de seu emprego e se mudou para uma cidade do interior, onde escreveu o livro “Camera Boy”, com as suas memórias da guerra. (Fonte: G1).


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Foto: Arquivo Pessoal   Legenda: O americano Fred Minnick no Iraque

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