Em jogo dramático de quase 5h, Djokovic reage e bate Murray
No próximo domingo, Djokovic voltará à quadra tentando repetir o resultado das finais do Aberto dos Estados Unidos e de Wimbledon em 2011.
Pela terceira vez seguida uma decisão de Grand Slam será disputada entre Novak Djokovic e Rafael Nadal. Nesta sexta-feira, o sérvio superou o cansaço e uma batalha de quatro horas e 50 minutos contra Andy Murray, pela semifinal do Aberto da Austrália. Ao final, o britânico cedeu a derrota por 3 sets a 2, com parciais de 6/3, 3/6, 6/7 (4-7), 6/1 e 7/5.
No próximo domingo, Djokovic voltará à quadra tentando repetir o resultado das finais do Aberto dos Estados Unidos e de Wimbledon em 2011, nas quais superou Nadal sempre por 3 sets a 1. Durante a última temporada, os rivais se encontraram em outras quatro decisões de torneios, sempre com vantagem para o sérvio: também ganhou nos Masters 1000 de Indian Wells, Miami, Madri e Roma.
Desta vez, o espanhol pode ter o preparo físico como seu aliado. Ele se classificou ao bater o suíço Roger Federer na última quinta por 3 a 1, com parciais de 6/7 (5-7), 6/2, 7/6 (7-5) e 6/4 em três horas e 41 minutos de duelo.
Já Djokovic precisou de cinco sets e quase cinco horas para vencer e terá um dia a menos de descanso até a final. Além disso, ele deu sérias mostras de cansaço e de sentir dores na perna direita no início da terceira parcial, quando Murray dominava as trocas de bola. De qualquer forma, o número um do mundo se assentou em quadra e no quinto set já parecia mais "inteiro" que o escocês.
Mesmo assim, a quinta parcial nesta sexta foi dramática. Djokovic abriu 5/2 e chegou a sacar em 5/3, mas não conseguiu confirmar a vantagem. Murray reagiu e colecionou três break points para quebrar o saque do rival na sequência, mas não aproveitou a oportunidade e pagou caro por isso. Quando o escocês sacava em 5/6, o sérvio pressionou bastante até chegar a 15-40 e converter já o seu primeiro match point com um voleio cruzado.
Diante de Nadal, o sérvio não é derrotado desde o fim de 2010, quando perdeu por 7/5 e 6/2 no ATP Finals de Londres. Apesar da vantagem recente, o balcânico leva a pior no retrospecto geral, com 16 vitórias e 13 derrotas para o espanhol. Em quadras duras, semelhantes às do Aberto da Austrália, Djokovic lidera a série por 10 a 5.
Djokovic joga bem e domina início da partida
Andy Murray começou tão mal o embate que nos primeiros sete pontos do jogo já havia cometido quatro erros não forçados. Muito para um tenista que geralmente é regular. Ele ainda se recuperou, confirmou o serviço e deu trabalho a Novak Djokovic na sequência. Após três games, o sérvio liderava por 3/0 e a partida já durava 17 minutos - uma pequena mostra da batalha que estava por vir.
Djokovic pressionou o saque do rival de novo na sequência e desta vez converteu um break point, beneficiado por uma dupla-falta. Seria a primeira quebra de mais duas seguidas que aconteceriam. Sacando em 4/2, o sérvio enfim confirmou a vantagem e não encontrou tantas dificuldades para abrir 1 a 0.
No segundo set, Djokovic mais uma vez começou melhor e rapidamente tinha 2/0 e break point à disposição para fazer 3/0. Murray, porém, não se entregou e iniciou uma reação que culminou com o empate do placar no game seguinte - que foi longuíssimo e incluiu dois game points desperdiçados pelo sacador.
Murray reage e vê rival aparentar cansaço
Nesse momento, Djokovic começou a levar as mãos aos joelhos, algo que já havia feito constantemente na semifinal contra o espanhol David Ferrer, indicando cansaço. Ele às vezes ainda alongava a perna direita, possivelmente sentindo dores. Murray aproveitou o cenário e fez 4/2. Ele ainda sentiu o nervosismo e permitiu uma quebra ao sérvio, mas a devolveu na sequência e fechou em 6/3.
Com muita luta, o número um do mundo precisou de 18 minutos para confirmar seu primeiro game de saque no terceiro set. A quebra não demoraria a acontecer, e o escocês sacou em 2/1, aproveitando os problemas físicos do adversário, que já não se movia tão bem quanto antes. Mesmo assim, Murray em algumas ocasiões se precipitava: ansioso, cometeu dois erros não forçados e cedeu o empate por 2/2.
Aos poucos, Djokovic voltava à partida. O primeiro saque, que pouco entrava no segundo set e no início do terceiro, apareceu de novo. Aparentando menos cansaço, ele manteve o placar equilibrado até ter três set points (todos não consecutivos) quando Murray sacava em 4/5. O escocês, então, elevou o nível: salvou um com ace, um com winner de direita e o outro com uma deixadinha precisa.
O placar estava em 5/5 e o momento era do britânico, que após se defender com maestria provocou um erro do sérvio para obter uma quebra de serviço que poderia ser decisiva. Na sequência, porém, ele voltou a mostrar nervosismo, fez uma dupla-falta e errou uma direita - o tie-break se fazia necessário.
Apesar de ter desperdiçado a oportunidade, Murray não se abateu e chegou à vantagem de 3-1 no desempate depois de uma dupla-falta do rival. O escocês ainda errou uma direita fácil e permitiu a igualdade, mas encaixou um ace e levou a melhor em uma longa trocas de bolas. Atacando bem, fez 6/3 e fechou o tie-break em 7-4 com mais um bom saque.
Djokovic atropela no quarto set e tem vitória nas mãos
A partida já tinha três horas e 20 minutos, sendo 88 minutos apenas no terceiro set. O britânico liderava por 2 a 1, mas sofria com os altos e baixos. Precipitando-se em alguns pontos e sofrendo com a agressividade de Djokovic, o escocês logo se viu em desvantagem de 0/4 na quarta parcial.
Ele ainda teve um duplo break point para diminuir a diferença, mas Djokovic se safou com perfeição. Com três winners de devolução seguida, o sérvio quebrou de novo o saque do oponente, que nem se dirigiu a essas bolas, claramente já se poupando para o quinto set - o quarto terminou em apenas 25 minutos.
Djokovic sobrevivia e parecia confiante rumo à 20ª vitória seguida em Grand Slams, contudo Murray não estava morto. O quarto cabeça-de-chave voltou a se concentrar e equilibrou o game de serviço do sérvio quando o placar estava empatado por 1/1. Não quebrou e na sequência chegou a 30-0, mas viu o sérvio reagir.
Com um ace, o escocês se livrou do primeiro break point de todo o quinto set, porém cometeu uma dupla-falta na sequência. Era tudo aquilo do qual o atual campeão do Aberto da Austrália precisava, mas ele errou uma direita não forçada. O game já se tornava dramático quando Murray sacou bem para salvar outro break, que havia sido criado com um winner de devolução espetacular. O quarto colocado do ranking sacou bem de novo e manteve a igualdade no marcador.
Djokovic não encarava os mesmos problemas quando era ele quem colocava a bola em jogo. O atleta confirmou seu serviço de forma veloz e não desanimou quando Murray abriu 30-0 na sequência. Com três belos backhands - dois já na devolução -, o sérvio construiu o break point, desperdiçado com uma passada relativamente tranquila que foi para fora. Murray, porém, facilitou o trabalho do colega, errando um backhand com a quadra aberta. Na chance de quebra seguinte, a quinta no set, o sérvio se defendeu com um lob incrível e depois atacou com a direita até obter o winner.
Murray empata e perde break point que o faria sacar para o jogo
O grito de vibração do favorito nesse momento deu o tom do que viria a seguir. O tenista não deixou a vantagem escapar confirmando o saque com rapidez. Na sequência, forçou uma igualdade, porém Murray se livrou das dificuldades com o saque.
Ele comemorou ao marcar o primeiro ponto do nono game com uma boa paralela de direita, mostrando que queria mais jogo. Após contar com um erro não forçado de segunda bola do oponente, o britânico se tornou agressivo e devolveu a quebra com um winner de direita e uma passada.
O sonho do primeiro título de Grand Slam para o vice-campeão do Aberto da Austrália de 2010 e 2011 seguia vivo. Com bons saques, Murray saiu de um 0-15 e empatou por 5/5 o set, que já tinha 51 minutos de duração.
O escocês era surpreendentemente mais agressivo e conseguiu um 15-30 com mais um winner na paralela de direita. Era a hora de Djokovic mostrar serviço, mas seu backhand não era mais o mesmo: sem força, o golpe parou na rede logo na segunda bola. Aumentando ainda mais a dramaticidade da partida, o sérvio reagiu no 15-40, encaixando um bom saque no primeiro break point e uma linda direita na paralela no segundo.
A partir daí a tensão tomou conta do game. O número um errou um forehand de segunda bola, mas o quatro desperdiçou a nova oportunidade de quebra com um backhand - em que pouco arriscou - na rede. Mais dois erros (um de cada atleta) se seguiram, e após perder a chance de confirmar o serviço o atleta finalmente o fez: colocou com precisão um segundo saque na linha a 176 km/h no lado da igualdade e subiu à rede para fazer 6/5.
O quinto set em Melbourne não tem tie-break, e Djokovic sabia que a maratona poderia se alongar ainda mais. Por isso, pressionou desde o início do game seguinte, forçando erros de Murray. Este, sem eficiência no serviço, não resistiu quando o rival abriu 15-40 e voleou com categoria.
O escocês se despediu do torneio com honras, sendo aplaudido pelos fãs que lotaram a Rod Laver Arena no momento de deixar a quadra. Mas a festa era mesmo de Djokovic, que deu nova mostras de superação assim como havia feito na semifinal do último Aberto dos Estados Unidos, quando salvou um duplo match-point de Federer na semifinal. O presságio é bom, visto que na decisão daquele torneio ele aplicou 6/2, 6/4, 6/7 (3-7) e 6/1 sobre Nadal.(Terra).


