Ator de 'Hair': quando vi a cena de nudez, me deu vontade de chorar
Em entrevista nos estúdios do Terra na sexta-feira (27), os atores Reynaldo Machado e Carol Puntel comentaram o trabalho.
Depois de uma bem-sucedida temporada no Rio de Janeiro, assistida por mais de 100 mil pessoas, a montagem do musical da Broadway Hair chegou a São Paulo no último dia 13 de janeiro apoiada pelas polêmicas que envolvem sua história. Contudo, apesar do tema complexo, que aborda guerra e preconceito, talvez o que mais chame a atenção no espetáculo seja a cena na qual todos os trinta atores do elenco aparecem nus, de frente ao público. Em entrevista nos estúdios do Terra nesta sexta-feira (27), os atores Reynaldo Machado e Carol Puntel comentaram o trabalho e afirmaram haver tanta emoção no momento da nudez que a plateia dificilmente se concentra nela.
"Fui substituído uma vez e assisti ao espetáculo da plateia. Aquilo foi chocante, me deu vontade de chorar", confessou Reynaldo. "Não pela nudez. É que, na cena, ficamos em volta de um balde com fogo fazendo um protesto, algo bem político. As pessoas acabam não prestando atenção no nu e sim no que ele engloba".
Carol, que já atuou em diversos musicais no País, como O Fantasma da Ópera e Hair, concorda com o colega. Segundo ela, a temática que pauta o espetáculo, focado em um grupo de hippies em protesto contra a Guerra do Vietnã, acaba ofuscando totalmente a nudez do elenco. "É um presente estar nessa peça, que pede muito esforço físico, muito esforço vocal, mas, mais do que tudo, de muito esforço emocional. Ela é originalmente de 1968, mas a mensagem continua totalmente atual. A guerra continua acontecendo, é um produto que gera dinheiro. Mas por que o amor não pode ser um produto também? O amor é de graça, uma maravilha".
No espetáculo, Carol interpreta Scheila, uma jovem que, apesar de ser o elo político do grupo hippie, é herdeira de uma família rica e se recusa a largar os estudos. "É importante isso, porque ela acaba financiando a tribo. No segundo ato, a personagem até fica mais com eles, vai às ruas para gritar contra o Vietnã. No entanto, acho que ela não dorme com a tribo".
Já Reynaldo dá vida ao jovem de black power da peça, um sujeito que prefere fazer graça com a cor negra de sua pele do que perder a cabeça com o preconceito sofrido por seus semelhantes no país, amplamente conhecido pela segregação até a década de 1960. "Meu personagem é um negro de frente, que aborda o tema racial com piadas. De fato, a melhor maneira que ele tem de passar as coisas, suas ideias, é através das piadas", explica. "Claro, tem também uma música que ele xinga bastante", se diverte.(Terra).


